As memórias de Bento Soares Dias - Parte I

Publicado por Pedra do Porto · Categoria Pessoal · 15/07/2017 13:07 · 3 Visualizações

Bento Soares Dias é uma personagem da vida. Da vida normal de todos os dias, de todos nós.
Simples, humilde e sem grandes problemas no que respeita a relacionar-se com os outros, mas sempre desconfiado de sorrisos fáceis.
Nasceu numa pequena aldeia do Ribatejo em finais do século XVII, casou por lá e por ali foi deixando a sua descendência.
Não gostava muito de trabalhar nos meses tórridos, assim como não se dava bem com as alterosas águas do Tejo, quando este subia o seu caudal e inundava - e inunda . campos e aldeias.
Bento Soares Dias gostava, particularmente, do sossego que aqueles verdejantes campos lhe transmitiam.
Não tratava muito da terra, é bem verdade. Sempre teve, digamos assim, uma relação estranha com o trabalho - ares de nobreza - que não era, e não se conhecia que fosse descendente de tal.
Bento Soares Dias era, sem dúvida, uma pessoa de humores estranhos, hoje talvez o diagnosticassem com algum tipo de ansiedade, bipolar...mas naquele tempo não sabia, e nem se sabia. Era, isso sim, conhecido, à boca pequena, como o "sismático", o "tonto".
Tanto estava bem como mal. Tanto se mantinha junta à pequena igreja de São Domingos, como se enroscava nos seus pensamentos num canto qualquer.
Bento Soares Dias tem uma história atrás de si, e é dessa história que vamos tratar neste pequeno espaço.
Bento Soares Dias, que não sabia escrever, deixou para o futuro, as suas memórias escritas pela mão de seu filho, Francisco.
De um espera-se o percurso, do outro a capacidade de transmitir o que o seu pai lhe ditou, dois dias antes de falecer.
A um morto nada se pede, a não ser o conhecimento adquirido ao longo da vida.

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