Rogério  Rosa

Reportagem a Isarel-1995

Publicado por Rogério Rosa · Categoria Pessoal · 12/08/2017 17:22 · 11 Visualizações

          Artigo sobre a Peregrino de Jerusalém de um ambliope e um casal de cegos a Israel-Agosto-95

 

ISRAEL – TERRA SANTA – A AVENTURA.

 

          Muitas são as razões, para que esta tenha sido a minha viagem de vida. Tantas mais razões, que esta viagem bíblica e tudo quanto a história a ela se refere. Para alguns são lugares santos, históricos e arqueológicos. Para outros, o seu clima, o Sol radiante quase todo o ano e, para outros, mais o fascínio contrastante, entre o antigo e o moderno.

          Mas para todos, Israel tem algo que é difícil de definir uma dimensão extra, que transforma cada visita numa experiência memorável.

          Eu, ambliope, segui na companhia de uma casal de cegos e de uma amiga comum, no passado dia 23 de Agosto-95, pela Companhia Aérea El-Al- Linhas Aéreas Israelitas. Íamos por conta da Agência Profissional Tours e pela Paróquia de Santa Engrácia com o Padre Eugénio Santos, entretanto já falecido!

          Chegados ao aeroporto Ben- Gurien (Tel Aviv), tivemos de estar cerca de 30 minutos dentro do avião, sem explicação aparente. Depois das formalidades de desembarque, lá seguimos para o Hotel SAN BAT YAN. Neste hotel, depois da confusão da entrega das chaves dos quartos e respectivas companhias dos mesmos, ficámos a saber, o porquê da demora no avião. Nele vinha a bordo também, o Primeiro Ministro Israelita Isaac Rahbin, bem disfarçado para não ser reconhecido para não haver problemas no aeroporto, onde já estava cercado de policias.

          No dia seguinte, levantámo-nos pelas 4 h da manha. Pois tínhamos uma longa viagem pela frente. Depois do pequeno-almoço e da verificação das malas e colocadas na portaria, para que os bagageiros as distribuíssem pelas camionetas 1 e 2. Eu e o casa de cegos, ficámos na camioneta 1- Santa Engrácia. A camioneta 2, era de S. Francisco de Assis. Eu, parecia não acreditar que estava na Terra Santa!

          Fomos percorrendo a cidade de Tel Aviv, onde se podia ver, as habitações arruinadas, sítios cuja beleza não chegava, mas a sua importância histórico - bíblica e arqueológica se sobrepunha a qualquer outra beleza.

          A primeira visita, foi á igreja de S. Pedro, onde o padre Eugénio Santos, nosso companheiro, celebrou a primeira eucaristia. Depois desta celebração, fomos para Cesereia, onde fomos admirar um magnífico Teatro Romano, onde já tinha actuado Amália Rodrigues e Luciano Pavarotti. O casal de cegos, acompanharam as descrições, que eu e a d. Lurdes íamos fazendo ao longo do percurso. Fomos a Naifa e ai havia uma mini feira. Havia 2 grandes bancadas, onde estavam expostos, variadíssimos bonecos, cruzes, alianças e presépios, mas para quem é coleccionador de postais, colares e dedais. Tinham muito por onde escolher. No Monte Carmelo, visitámos a casa de Elias e o Convento Stella Maris. Foi dada a oportunidade ao casal de cegos, poderem ver com as mãos, o relevo detalhado da dormida de Elias, bem como toda a descrição possível da pedra, vidros e dourados. Entretanto convém salientar, que estávamos a ser acompanhados por 2 excelentes guias, que descreviam toda a história de Israel com tanta precisão, que punham pessoas desinteressadas a gostarem de ouvir.

          Fomos depois para Acre e por fim, chegámos a Teberíades, onde ficámos no 2º Hotel. Este hotel chamado Hotel Galilee. Depois da distribuição das chaves dos quartos, seguiu-se o jantar e tempo livre. Aqui, iríamos permanecer 2 dias.

          No dia 25, outra viagem nos esperava. Depois do pequeno-almoço, distribuímo-nos pelas camionetas, que desta vez nos levou a Cafarnaum. Aqui, descemos da camioneta e subimos ao Monte das Bem-Aventuranças. Aqui, não era permitido a entrada de homens em calções, nem de mulheres em manga-á-cava. Neste Monte, foi celebrada a 2ª eucaristia pelo nosso Padre Eugénio. Depois fomos até uma zona chamada Tabga e nela, visitou-se a magnífica igreja das Multiplicações dos pães e dos peixes e Igreja do Primado. O Sr. Amador e a esposa D. Barbara, o casal de cegos, foi-lhes dado nova oportunidade de reverem todos estes magníficos templos sagrados, mas nem por isso lhes deixei de descrever toda a beleza arquitectónica. Fomos em direcção á Cidade de Jesus, onde o ponto obrigatório foi a Sinagoga ou a casa de S. Pedro. Depois almoçou-se num restaurante, onde se comeu o espectacular peixe de S. Pedro. Peixe este, era indescritível, pelo seu tamanho. Findo o almoço, fomos todos ao Monte Tabor. Aqui, sub-dividimo-nos em pequenos grupos e deslocámo-nos em táxis, uns autênticas Limousines. Deslocámo-nos á Igreja da Transfiguração. Aqui, tal como nos outros sítios, aqui os homens tinham de vestir calças ou usar lenços coloridos a taparem as pernas. Uma visita sem palavras, uma igreja que de beleza nada tem, mas tem uma riqueza histórica sem igual. Os franciscanos, apenas estavam como observadores. Nesta igreja, junto ao altar, um buraco escondia uma rocha, onde Jesus teria deitado a 1ª lágrima de sangue. Uns de cada vez, ajoelharam-se e tocaram na rocha sagrada, benzendo-se de seguida. Eram notadas em alguns rostos, lágrimas sentidas ao tocarem na rocha. Fora da igreja, todo o grupo se juntou para a fotografia. Depois uma oração e cânticos, fecharam esta visita. Voltámos a descer nos táxis e respectivas camionetas, que nos levaram para o Rio Jordão. No mesmo ponto, onde S. João Batista teria baptizado Jesus. Foi o sítio escolhido, para que todos nós pudéssemos renovar os nossos votos de baptismo. Eu, que levei fato de banho, não esperei muito tempo que chegasse a minha vez. Nadei bastante e não faltou muito para que 4 rapazes me fizessem companhia. Depois lá fiz a renovação do baptismo e tornei-me no mais puro dos homens! No final desta cerimónia, regressámos ao hotel.

          No Sábado, dia 26, tínhamos uma viagem tão longa quanto as anteriores. A paragem desta vez foi em Nazareth e Cana, onde visitámos a casa de S. João Baptista e passámos á porta de S. Bartolomeu. Fomos celebrar a 3ª eucaristia na Basílica da Anunciação. Basílica esta, que pela arquitectura e vidros coloridos, faziam dele uma riqueza sem igual. Nas paredes laterais, estavam imagens de algumas Santas de alguns países, tais como Portugal. Daqui seguimos para o almoço, onde prosseguimos para o tão esperado, Mar Morto. Um mar imenso e o mais baixo do Mundo (440 metros a baixo do nível do mar). Aqui, no Mar Morto, encontram-se fabulosas esculturas de sal, que os olhos jamais se esquecerão. Eu, trouxe algumas pedras do Mar Morto, uma vez que, é algo obrigatório, para qualquer peregrino. Depois fomos então, visitar as Grutas de KUM RAM. Estas grutas fazem lembrar os manuscritos do Mar Morto. Depois de sabermos qual o último hotel, fomos ver a vista panorâmica do cimo do Monte Scopos da cidade Santa e onde os guias nos brindaram com um licor, chamado licor de Canã.

          O hotel onde íamos ficar, chamava-se Jerusalém Gate Hotels. Nele iríamos ficar até 4ª. Feira. Altura em que se regressa a Portugal.

          Domingo, dia 27, depois do pequeno-almoço, fomos a caminho de EIN KAREN. Aqui, visitámos a igreja da Visitação, bem como o lugar de nascimento de S. João Baptista.

          A viagem estava a ser cada vez mais interessante e mesmo assim, parecia não ser real. Encaminhámo-nos para Belém de Judá, onde visitámos a Igreja da Natividade. Depois, fomos á Igreja de Santa Catarina. Aqui, foi onde Jesus nasceu e pudemos ver a Gruta de Origem, bem como a manjedoura. Todos nós mexemos e nela nos benzemos. Seguiu-se a 4ª. Eucaristia. Fomos almoçar num hotel e depois, o tempo livre no bairro árabe. Tempo de fazerem compras e de visitarem outros monumentos fora do programa. De seguida, o regresso ao hotel.

          Segunda. Feira, dia 28, depois do pequeno-almoço, era tempo de visitar o sítio mais chocante da história da peregrinação, o Muro das Lamentações. Aqui, árabes, judeus e cristãos se juntam, para junto do Muro, introduzirem nele um papelinho, onde conste uma oração, ou um pedido a Deus. Trata-se de um sítio, onde todos têm uma bíblia na mão, ou alcorão, e lêem, abanando-se freneticamente num vaivém, sendo esta, a manifestação de Fé e de se concentrarem. Mais chocante foi ver crianças de 7 anos, sentadas num banco, viradas para a parede e com a bíblia ou alcorão na mão, vão lendo e abanando-se ao mesmo tempo. Desde pquenos lhes são dados todos estes rituais. Outros, os mais velhos, dão grandes passadas a uma velocidade estonteante com o livro aberto na mão a andarem de um lado para o outro e vice-versa. Vão rezando de voz altas. Outros, estão reunidos á volta de uma mesa rectangular e de pé, com as suas bíblias na mão, onde freneticamente se abanam e rezam de voz alta. Eu, de boca a Berta, ia descrevendo ao Sr. Amador, todo aquele cenário indescritível e de tradição. O Muro divide-se em 2 partes. A ala direita, só entra mulheres e a ala esquerda, só entram homens. Quanto aos bebés, entram para um dos lados consoante o seu sexo. Depois de toda a descrição por parte dos nossos guias, seguimos para as Mesquitas, a começar pela Mesquita de EL ASKA e a de OMAR! Qualquer delas não era permitida entrada, calçados. A Mesquita de EL ASKA, era muita bonita, quer por dentro, quer por fora. Uma grande rocha vedada, mas que se poderia tocar. Tinha um cheiro esquisito. Seguiu-se a Mesquita de OMAR. A mais encantadora e reluzente. Tinha umas grandes carpetes sem móveis e sem cadeiras. Nos cantos, estavam homens sentados com grandes livros em cima das pernas. Liam em voz baixa. Depois e já fora da Mesquita, tirou-se uma foto do grupo. Seguimos viagem para o Monte das Oliveiras. Aqui deu para observar a paisagem mais incrível da Cidade Santa. Depois do almoço visitámos o Monte Sião, o Cenáculo, o túmulo do Rei David e a Igreja da Visitação, para a realização da 5ª Eucaristia. Fomos de seguida para JAFFA, onde tivemos novamente tempo livre no bairro árabe e depois, encaminhámo-nos para o hotel com as compras feitas.

          Terça-Feira, dia 29. Depois do pequeno-almoço fomos visitar a Igreja do Pater Noster (Padre Nosso), a Capela de Ascensão e a Igreja Dómus Flevi, Aqui, ia-se realizar a 6ª. Eucaristia. Depois fomos á Igreja das Nações e terminámos com a visita ao Túmulo da Virgem. Depois do almoço, foi o regresso a Belém e dirigimo-nos á Gruta da Traição. Um sítio magnifico e de um encanto sem igual. Aqui, houve alguma comoção. Para outros, apenas um sítio histórico, que ninguém conseguia ficar indiferente.

          Fez-se a reconstituição da Via-Sacra. O seu inicio foi na Igreja de Santa Ana. Piscina Probática, Listostrotos, Arco Fcoe Homo e restantes estações. São 14 no seu total, que Jesus percorreu com a cruz ás costas, até ao Santo Sepulcro (Calvário). Nós, também percorremos o mesmo caminho e com a cruz ás costas em cada estação, evocando o nome de Jesus, Virgem Maria e todos os outros acompanhado sempre do Padre Nosso.

          Depois do almoço, as visitas á Galileia, onde mais tarde iríamos andar de barco, mas antes, teríamos a 7ª e última eucaristia ao ar livre. Depois de visitarmos outros monumentos, fomos para Cesereia Marítima, Aqui, entrámos para dentro de um barco e durante 1 hora, ficámos maravilhados, não só com a paisagem, mas também com o convívio, enquanto eu me entretinha a tirar fotos.

          Não esquecer que houve uma noite espectacular de Domingo para 2ª, onde tivemos a oportunidade de ver como era a vida nocturna dos Árabes, judeus e ortodoxos. Também é bom lembrar, que houve 2 tentativas de atentado contra nós, mas sem consequências.

          O casal de cegos, já ia pela sua 2ª vez, bem como a D. Lurdes, que os acompanhou. Apesar dos riscos, a viagem foi espantosa. Vale sempre apena visitar esta Terra Santa com tudo o que tem de sagrado.

          Esta reportagem foi possível, por ter sido verdadeira a minha deslocação a Israel, que sem a quel, nunca seria possível a sua transcrição, ainda que eu lesse em qualquer livro.

          Grato a António Amador Pereira, sua esposa Bárbara Luzia Pereira e d. Lurdes.

 

Agosto de 1995

FIM

Rogério Rosa